terça-feira, 18 de setembro de 2012

Stop lixo. Viva o Congresso

A cidade está se preparando para a grande festa. Cinco mil visitantes irão invadir Pemba para o 10º Congresso da Frelimo. Os hotéis já estão todos ocupados. Novos quartos foram construídos às pressas. As casas mais ricas foram alugadas a preço de ouro. Até quartos de hóspedes de residências comuns viraram fonte de renda para quem quiser receber um ilustre desconhecido em casa. As ruas estão sendo consertadas: uma pá de areia e o buraco desaparece! As fachadas estão sendo pintadas. Todas da mesma cor, é verdade, mas fazer o quê se não tem outra tinta? Melhor do que da última vez que teve um congresso aqui. Dizem que a prefeitura mandou fazer muros de zinco pra esconder as palhoças e os casebres. Fico imaginando que a cidade inteira foi murada. Mas isso foi no passado. Hoje, até o lixo está sendo removido. Da noite para o dia surgiram caçambas novinhas em folha. Aí fica aquela cena: uma caçamba limpinha ao lado de um monte de lixo jogado no chão. Ainda falta muito o que fazer, mas todos estão animados e otimistas. Afinal será uma semana inteira de feriado. Apenas os taxistas é que têm que rebolar. A polícia ganhou novos uniformes. Antes eram cinzentos, agora são branquíssimos e impecáveis. E os guardas fazem questão de exibir sua elegância em incontáveis blitz pela cidade. Para manter a ordem! Então os motoristas têm que dar voltas enormes para fugir do policiamento. Eu, como passageiro, acho ótimo: agora tenho passado por ruas que eu nem imaginava que existissem. Com tantas reformas, também eu decidi dar um tapa no visual. Fui até o cabeleireiro mais próximo e pedi para cortar o meu cabelo. Recebi tratamento vip com toalha quente e tudo o mais. Na verdade a toalha substitui a lavagem no final, é que o centro de beleza não tem água encanada. Por enquanto, imagino eu. O tratamento foi tão profissional que o cabeleireiro resolver cobrar mais caro. Na tabela dizia que o corte curto era 50 meticais e o longo, 100. Ele cobrou 100 para raspar o meu. Aí eu perguntei, “mas não eram 50 para cabelo curto?” e ele respondeu, “mas o seu é comprido, oras!”.

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