quarta-feira, 15 de agosto de 2012

O caminho até o frango caipira

Hoje eu quis comer um frango com quiabo e tomate, arroz, feijão e couve. Uma comida que me lembre o gosto de casa. Pedi ao guarda que fosse comigo ao mercado. As casas maiores aqui em Pemba, como a casa onde estou hospedado, têm um guarda particular. Também vi isso em Maputo. Significa que um homem nativo fica na casa o tempo todo. Ele dá certa proteção à casa, ajuda em alguns serviços e ainda faz a ponte entre os estrangeiros e a comunidade. Os possíveis ladrões não roubam mais por respeito a alguém da comunidade do que por medo. É que esses guardas são bem pacíficos e quase nunca andam armados. É um jeito também dos estrangeiros gerarem emprego na cidade. Então hoje fui ao mercado de Wimbe, nome da praia e também de um bairro muito pobre. Lá foi novamente a sacolinha do Verde Mar passeando... No meio de ruas de areia e taperas, chegamos ao mercado. Uma espécie de feira ao ar livre, mas dentro de um lote vago, com acesso através de um beco. Galinhas no meio dos restos, crianças rolando no chão, mulheres vestidas de capulanas e alguns vendedores oferecendo frutas e legumes. Barraquinhas muito pobres. Frutinhas muito raquíticas, mas encontrei tudo o que eu queria para o meu almoço mineiro. O bairro de Wimbe é habitado por uma maioria Macua, uma das três etnias que coexistem em Pemba. As outras duas são os Makonde e os Mwani. Cada uma com sua própria língua. Os Macua são islâmicos, por isso as mulheres usam roupas cobrindo mais partes do corpo. Não são islâmicos linha dura como os povos árabes. Hoje nessa feirinha, por exemplo, vi meninas muito novas, doze ou treze anos, bebendo cerveja com homens adultos. Todos eles bêbados às oito da manhã. Também vi uma escola primária sem portas nem janelas, suja como um estábulo, onde os estudantes usam gravata. Também vi meninos jogando futebol com uma bola feita de sacolas plásticas e o goleiro usava uma luva de construção civil, só na mão direita. Eles devem olhar pra mim e me achar muito diferente.

5 comentários:

  1. Ô fraguim custozo, sô!

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  2. Olha! Valeu o esforço de depenar o frango, separar o feijão de qualidade duvidosa, cozinhar durante a manhã toda em um fogareiro precario e ainda viver as situações "exotics" que você deve ter visto na feira! Valeu! Comi muito muito bem! Os pratos aqui tem sempre os mesmos acompanhamentos em todos os lugares: arroz sem tempero, batata frita com salada de alface e tomate... Viva a comidinha mineira! Agora... O queijo ja vai ser mais dificil de comer...:(

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