segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Muitas horas de espera no aeroporto de Dar Es Salaam

Saí de Pemba rumo a Frankfurt. O vôo fez uma escala em Dar Es Salaam, capital da Tanzânia. Antes da partida, fiquei tenso com essa parada de muitas horas numa cidade que os próprios tanzanianos dizem que é perigosa. Peguei o vôo em Pemba na hora de mais calor do dia, com direito a um atrasinho de praxe. Quando pus meu pé direito no solo da Tanzânia, senti boas vibrações, que foram se confirmando no aeroporto. Eu sabia que precisava de visto de trânsito, mas os guardas foram super-simpáticos e literalmente abriram as portas para eu passar. Disseram para eu esperar perto do portão de embarque do próximo vôo. Teve até um funcionário graduado que veio conversar comigo, do nada. Só pra bater papo. Mais tarde outra funcionária sorridente veio pegar minha mala e meu passaporte para fazer o check in pra mim. Uma gentileza que deu aquele frio na barriga de pensar, “será que isso é um golpe?”. Algumas semanas antes tive uma experiência em Inhambane que havia me deixado muito atento com os guardas de aeroportos. Lá, quando eu estava embarcando, um guarda moçambicano quis ver o que tinha na minha mala. Ele usava aquelas luvas de borracha branca. Lá não tem raio X em aeroportos menores. Quando demonstrei uma mínima intenção de cuidar do assunto da passagem enquanto o guarda verificava a mala, um menininho que estava por ali oferecendo pra carregar malas puxou a minha orelha, “vais deixar tua mala com o guarda? Tenx que ficar de olho!” Então na Tanzânia fiquei superdesconfiado. Conferi o cadeado da mala, olhei pro passaporte, dando uma espécie de adeus e pus nas mãos de Deus! Não é que a guardinha voltou sorridente com meu passaporte e meu cartão de embarque 5 minutos depois? Isso só aconteceu porque eu não podia sair daquela sala de espera sem visto, ou seja, eu não tinha outra opção, mas a minha confiança já tinha aumentado muito antes, por causa da simpatia geral e do clima superleve do aeroporto. Ali sim vi uma mistura incrível de raças, estilos de vestimentas e nacionalidades. Afinal a Tanzânia nasceu dessa mistura. Juntaram a Tanganica com a ilha de Zanzibar, o ponto de encontro da antiga rota das especiarias e deu no que deu. E todo mundo numa boa. Menos uns franceses e uns italianos que vieram no mesmo vôo de Pemba e estavam o tempo todo reclamando. Aí tomaram um chá de fila (bicha para os moçambicanos). Aproveitei minhas longas horas de aeroporto para comprar um café do Monte Kilimanjaro empacotado numa capulana e uma camisa azul da seleção da Tanzânia. Também experimentei três cervejas locais, todas com nomes de atrações turísticas. Mais clichê, impossível. Fiquei imaginando se as cervejas do Brasil se chamassem Copacabana, Foz do Iguaçu e Amazônia. Aí, numa acesso gringo-em-trânsito-impressionado-com-a-simpatia-local, fotografei as garrafas da Coca-Cola, da Fanta e do Sprite. É que elas, por algum motivo desconhecido, não são tão arredondadas como no resto do mundo. Elas são esbeltas, esguias como um girafa ou como o povo Massai. Uma pena que o gerente da lanchonete tenha insistido em aparecer na foto e ainda lançou esta pergunta marota, “não é possível! O Brasil é um país tão grande e ainda não tem Coca-Cola?”.

Um comentário:

  1. Adorei! Você escreve de uma forma que me faz sentir como se estivesse na Tanzânia! E essas garrafas esbeltas, quando vi a foto de relance pensei que estivesse distorcida! Muito bom!

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