segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Sábado, na balada

Já tem muitos meses que a música "assim você me mata" tem sido tocada em todos os lugares do planeta. A sorte, ou azar, fez que com que eu escutasse essa música inteirinha de verdade em apenas dois lugares: na Feira Popular de Maputo e no Aeroporto Internacional de Frankfurt. A música brasileira é escutada no mundo todo. O normal, em qualquer lugar, é ouvir nas rádios ou nos elevadores as músicas em inglês dos sucessos internacionais. E é muito bom escutar a língua brasileira no meio desses playlists. Em Moçambique tocam muito Roberto Carlos, Djavan, sambas, música baiana tipo axé e também esse tipo de neo-sertanejo cantado por duplas de dois ou de um. Na Tanzânia escutei uma cantora brasileira que eu não reconheci. Talvez de algum disco da Putamayo. Na Alemanha, a bossa-nova é escutada em todo lugar e é tratada como jazz nos jornais e nos anúncios de shows. Um dia, escutei um chorinho saindo de uma loja centro de Frankfurt. Parei e fiquei ali um pouquinho respirando aquelas notas como quem destampa uma panela de feijão. O samba de Jorge Ben e de Martinho da Vila também dão a graça de surgir do nada. E eu falo dos lados Bs, não falo dos sucessos mais mastigados. Em Maputo conversei com um senhor que me disse que foi ao aeroporto junto com uma centena de fãs para receber o Rei Roberto. Isso no ano de 72! Eu nunca imaginei que a Jovem Guarda tivesse feito sucesso na África. Mais do que orgulho nacional ou vaidade pelo sucesso alheio, escutar esses sons brasileiros dá um alento, quase acalanto, para mim que estou longe de casa. Até mesmo a sanfona paranaense do "ai, se eu te pego". Mas até agora, o que mais me deu alegria de escutar foi a música Vagalumes do Affonsinho. Escutei de longe, numa feira superbacana de decoração, onde estou ajudando um pouco. A música vinha da loja que considero a mais bonita da feira. Fui reconhecendo aquela melodia, fui me aproximando. E lá estava o querido Affonsinho falando de coisas tão simples num lugar tão legal. Isso me fez arrepiar.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Na Alemanha até o mato é limpinho?

(Fotografei uma lata de lixo e um mato crescendo numa estação para tentar responder à pergunta do título). Estou hospedado no Star Hotel em Frankfurt. O dono é um chinês muito gentil, que vive a 13 anos na Alemanha. "Aqui é uma boa cidade?", pergunto. "It's ok", responde XU. Frankfurt é uma cidade que é grande desde antigamente. A cidade onde Goethe nasceu já era cosmopolita desde antes do Fausto. Os prédios mais velhos dessa época se espalham por longas áreas, não só onde é o centro antigo. A cidade é o coração financeiro da Europa. Além dos enormes edifícios de vidro e aço, sede dos grandes bancos, tem também uma feiíssima escultura em homenagem ao Euro no centro da cidade. Impossível não pensar em consumo o tempo todo. Não bastasse a infinidade de lojas, o hotel onde estou fica ao lado da West-bahnhof, estação onde passa a cada minuto metrô, trens urbanos, trens de passageiros e de carga. Não sei o que é levado naqueles conjuntos de uns 100 vagões, mas imagino que seja para alimentar a grande máquina urbana de tudo o que a humanidade da chamada civilização ocidental precisa e quer para viver. Imagino que todas as coisinhas lindas, os produtos, os perfumes, os automóveis, os alimentos e as embalagens para tudo isso estão naqueles vagões, na forma de matéria bruta ainda não processada. O povo daqui precisa do trem pra viver. Em Moçambique tem apenas um trechinho ou outro de trem. E as coisas que a gente encontra lá, vêm, a maior parte, da África do Sul, que tem trem. O fato é que existe uma diferença tão brutal e tão arraigada entre a realidade de Moçambique e a da Alemanha, que eu acho que isso nunca vai mudar. Antes eu achava que a diferença era de umas três décadas, depois fiquei pensando que na verdade eram uns sessenta anos. Depois ouvi alguém que vive na África a mais de dez anos dizer que seriam uns trezentos anos. Concordei. Mas agora acho que essa diferença nunca vai se desfazer. Viva a diferença? Em termos. O povo daquela parte do mundo sofre demais, embora mostre os dentes por qualquer coisa. Mas não sei se é sorriso ou é de nervoso. Desde o começo percebi que eles não gostam de gente branca, pelo menos no primeiro contato. Têm razão para isso. O europeu tirou tudo de lá e deixou o pessoal naquele perrengue. Um dia perguntei para um moçambicano se era verdade que eles não gostavam de brancos, como eu. Ele respondeu que não era isso. É que eles têm medo. Eu perguntei, "medo? Mas medo de quê?" Ele não me disse. Mas pude sentir isso quando vi dois meninos negros brincando com seus carrinhos feitos à mão na beira de uma estrada e pedi pro taxista parar pra eu fotografá-los. Quando desci do carro para perguntar se eu podia tirar a foto, como sempre faço, eles já estavam longe. Correram, fugiram. Provavelmente com medo de mim.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Muitas horas de espera no aeroporto de Dar Es Salaam

Saí de Pemba rumo a Frankfurt. O vôo fez uma escala em Dar Es Salaam, capital da Tanzânia. Antes da partida, fiquei tenso com essa parada de muitas horas numa cidade que os próprios tanzanianos dizem que é perigosa. Peguei o vôo em Pemba na hora de mais calor do dia, com direito a um atrasinho de praxe. Quando pus meu pé direito no solo da Tanzânia, senti boas vibrações, que foram se confirmando no aeroporto. Eu sabia que precisava de visto de trânsito, mas os guardas foram super-simpáticos e literalmente abriram as portas para eu passar. Disseram para eu esperar perto do portão de embarque do próximo vôo. Teve até um funcionário graduado que veio conversar comigo, do nada. Só pra bater papo. Mais tarde outra funcionária sorridente veio pegar minha mala e meu passaporte para fazer o check in pra mim. Uma gentileza que deu aquele frio na barriga de pensar, “será que isso é um golpe?”. Algumas semanas antes tive uma experiência em Inhambane que havia me deixado muito atento com os guardas de aeroportos. Lá, quando eu estava embarcando, um guarda moçambicano quis ver o que tinha na minha mala. Ele usava aquelas luvas de borracha branca. Lá não tem raio X em aeroportos menores. Quando demonstrei uma mínima intenção de cuidar do assunto da passagem enquanto o guarda verificava a mala, um menininho que estava por ali oferecendo pra carregar malas puxou a minha orelha, “vais deixar tua mala com o guarda? Tenx que ficar de olho!” Então na Tanzânia fiquei superdesconfiado. Conferi o cadeado da mala, olhei pro passaporte, dando uma espécie de adeus e pus nas mãos de Deus! Não é que a guardinha voltou sorridente com meu passaporte e meu cartão de embarque 5 minutos depois? Isso só aconteceu porque eu não podia sair daquela sala de espera sem visto, ou seja, eu não tinha outra opção, mas a minha confiança já tinha aumentado muito antes, por causa da simpatia geral e do clima superleve do aeroporto. Ali sim vi uma mistura incrível de raças, estilos de vestimentas e nacionalidades. Afinal a Tanzânia nasceu dessa mistura. Juntaram a Tanganica com a ilha de Zanzibar, o ponto de encontro da antiga rota das especiarias e deu no que deu. E todo mundo numa boa. Menos uns franceses e uns italianos que vieram no mesmo vôo de Pemba e estavam o tempo todo reclamando. Aí tomaram um chá de fila (bicha para os moçambicanos). Aproveitei minhas longas horas de aeroporto para comprar um café do Monte Kilimanjaro empacotado numa capulana e uma camisa azul da seleção da Tanzânia. Também experimentei três cervejas locais, todas com nomes de atrações turísticas. Mais clichê, impossível. Fiquei imaginando se as cervejas do Brasil se chamassem Copacabana, Foz do Iguaçu e Amazônia. Aí, numa acesso gringo-em-trânsito-impressionado-com-a-simpatia-local, fotografei as garrafas da Coca-Cola, da Fanta e do Sprite. É que elas, por algum motivo desconhecido, não são tão arredondadas como no resto do mundo. Elas são esbeltas, esguias como um girafa ou como o povo Massai. Uma pena que o gerente da lanchonete tenha insistido em aparecer na foto e ainda lançou esta pergunta marota, “não é possível! O Brasil é um país tão grande e ainda não tem Coca-Cola?”.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Negócios à parte

Em lojas de serviços, como empresas de telefonia, passagens aéreas, correios e coisas do gênero, o atendimento é sempre muito cordial e os funcionários tentam sempre prestar o melhor serviço. Algumas vezes eles dão uma derrapada que mostra que não são tão preparados assim, mas sempre mantêm a pose. Como quando fui perguntar como funcionava o plano que oferecia um smartphone se eu assinasse a Mcel. A funcionária falou toda séria "um smartphone, claro!", aí se virou e perguntou para a colega ao lado "o que é um smartphone?", e a colega respondeu "é um telemóvel, qualquer telemóvel, oras". Bem, saí sem nenhum smartphone, como é comum sair de uma loja sem a solução que eu estava procurando. Mas eles prometem gentilmente que amanhã sem falta eles terão a resposta. Quando isso aconteceu, pedi o telefone da loja pra eu não ter que voltar no dia seguinte sem nenhuma solução da parte deles, como aconteceu várias vezes. Por um hábito de linguagem, eu perguntava "pode me dar seu telefone?". Várias atendentes fecharam a cara pra mim ou desconversaram cheias de timidez. Uma até fez questão de dizer que era casada. Ontem me esqueci novamente desse detalhe e pedi o telefone para uma atendente das Linhas Aéreas de Moçambique. Ela me olhou assustada, conferiu se a colega ao lado não estava vendo e me disse bem baixinho "tudo bem, eu vou te dar o meu telefone, mas ninguém pode saber", e anotou o celular com um olhar todo cúmplice.

Business 4

Business 3

Business 2

Business

Aqui a economia informal é levada a sério. Uma vendedora espera os clientes deitada. Será que ela se cansou de esperar sentada? Crianças vendem carvão produzido em casa: com as árvores do quintal. Oficina mecânica, consertador de bicicleta e lavadores de carro trabalham em cabaninhas de bambu, como aquelas que a gente encontra na praia. A gasolina é vendida em garrafas pet e as lojas de roupas vendem bermudas doadas pelo exército americano (antes eram calças, mas foram cortadas toscamente com uma tesoura). É fácil encontrar recarga para celular. Sempre tem alguma criança vendendo cartões de todas as empresas na rua. Achei muito estiloso o salão de beleza. Se eu tivesse cabelo, com certeza iria experimentar um novo corte.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

O caminho até o frango caipira

Hoje eu quis comer um frango com quiabo e tomate, arroz, feijão e couve. Uma comida que me lembre o gosto de casa. Pedi ao guarda que fosse comigo ao mercado. As casas maiores aqui em Pemba, como a casa onde estou hospedado, têm um guarda particular. Também vi isso em Maputo. Significa que um homem nativo fica na casa o tempo todo. Ele dá certa proteção à casa, ajuda em alguns serviços e ainda faz a ponte entre os estrangeiros e a comunidade. Os possíveis ladrões não roubam mais por respeito a alguém da comunidade do que por medo. É que esses guardas são bem pacíficos e quase nunca andam armados. É um jeito também dos estrangeiros gerarem emprego na cidade. Então hoje fui ao mercado de Wimbe, nome da praia e também de um bairro muito pobre. Lá foi novamente a sacolinha do Verde Mar passeando... No meio de ruas de areia e taperas, chegamos ao mercado. Uma espécie de feira ao ar livre, mas dentro de um lote vago, com acesso através de um beco. Galinhas no meio dos restos, crianças rolando no chão, mulheres vestidas de capulanas e alguns vendedores oferecendo frutas e legumes. Barraquinhas muito pobres. Frutinhas muito raquíticas, mas encontrei tudo o que eu queria para o meu almoço mineiro. O bairro de Wimbe é habitado por uma maioria Macua, uma das três etnias que coexistem em Pemba. As outras duas são os Makonde e os Mwani. Cada uma com sua própria língua. Os Macua são islâmicos, por isso as mulheres usam roupas cobrindo mais partes do corpo. Não são islâmicos linha dura como os povos árabes. Hoje nessa feirinha, por exemplo, vi meninas muito novas, doze ou treze anos, bebendo cerveja com homens adultos. Todos eles bêbados às oito da manhã. Também vi uma escola primária sem portas nem janelas, suja como um estábulo, onde os estudantes usam gravata. Também vi meninos jogando futebol com uma bola feita de sacolas plásticas e o goleiro usava uma luva de construção civil, só na mão direita. Eles devem olhar pra mim e me achar muito diferente.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

A luta contra o dragão da maldade

Esta foto da minha luta contra um dinossauro inflável vai ser agora o símbolo da minha recuperação da malária. Hoje é o último dia de remédios que me deixaram enjoado e de mau humor nesses últimos três dias. Mas me deixaram melhor para começar a ver as ruas como um lugar cheio de possibilidades de novas fotos. Ao menos isso. Daqui a pouco terei novas fotos para postar. Por enquanto tenho que ficar mais em repouso. Amanhã estarei bom. Como estatística, de TODOS os moçambicanos que perguntei, TODOS já tiveram a malária. Ficam meio envergonhados de responder que sim, mas acabam falando que tiveram umas quatro vezes cada um. E ficam aliviados quando digo que adquiri esse souvenir em Inhambane, não em Pemba. Claro, a província do vizinho é sempre pior do que a sua.

domingo, 12 de agosto de 2012

A marvada

Pisando em Pemba a primeira coisa que senti foi uma espécie de depressão. Pensei que fossem os efeitos da viagem muito cansativa ou que a ficha estivesse caindo com força sobre a minha cabeça. Na manhã seguinte essa sensação piorou, até que hoje acordei com muitas dores no corpo e dor de cabeça. Fui para o hospital, fiz os exames de sangue e deu alteração no hemograma. O médico receitou soro na veia e remédio contra a maldita: malária! São seis doses de quatro comprimidos durante três dias. Estou me sentindo bem agora, só um pouco prostrado e com dores no corpo, mas daqui a pouco isso passa. No hospital todos já tinham tido malária, até o médico. (Na foto abaixo, a simpática equipe médica). É comum por aqui e mata mais que atropelamento de automóver, mais que peixeira de baiano, mais que bala de revólverer e mais do que o HIV. A malária em Moçambique é a principal causa de óbitos no país. E a aids ganha medalha de prata. Então, minhas queridas e meus queridos, protejam-se quando chegarem nestas terras. Usem rede mosquiteira e muito repelente. Senão a Mamãe África vai te dar as boas-vindas da pior maneira possível: através da picadinha do mosquitinho da malária.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Paradoxo johannesburguês

Johannesburgo é uma cidade onde se encontra de tudo. Você pode ir a um ótimo restaurante e os garçons, negros, serão muito educados e solícitos. Ou pode ir a uma loja de vinhos onde você vai encontrar os melhores vinhos produzidos no país e no mundo e o vendedor, negro, grande conhecedor de vinhos, será muito eficiente e simpático. Se precisar ir aos correios e não souber onde fica, haverá sempre um guarda, negro, pronto a te ensinar. Nos correios, quando for enviar um cartão postal, a funcionária, negra, será muito competente. Dali até o supermercado é um pulo. Tem produtos requintados do mundo todo e você será atendido por uma equipe de padeiros, balconistas, açougueiros, caixas e gerentes, negros, muito bem treinados. Quando for tomar um expresso, alguns cafés vão fazer você se sentir em Amsterdam ou em Londres e o barista, negro, vai te servir um café delicioso. E se quiser conhecer a cidade, poderá contratar um taxi com um motorista, negro, muito prestativo, como o taxista na foto abaixo. Mas dizem que é perigoso andar a pé pela cidade, pois quem anda a pé são só os negros... E onde andam os brancos? Eu vi alguns jogando golfe numa tarde de quarta-feira num codomínio murado e superprotegido.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Um agradecimento tardio à novela brasileira

Nunca suportei novelas. É que eu tenho vergonha alheia. Me dá uma espécie de gastura ver aqueles atores fazendo papel ridículo. Ah, olha lá o Tony Ramos fingindo que é grego! Olha a Débora Falabela fingindo que é malvada! Olha o Antônio Fagundes fingindo que é galã! Mas aqui em Moçambique a novela brasileira tem sido uma grande companheira. É que eu tenho essa minha cara de gringo. À primeira vista, posso ser muito bem um sul-africano branco, que são uns malas. Na África do Sul eu tive contato com os negros de lá. A maioria absoluta trabalha como serviçal. E são gente muito boa, engraçados e simpáticos. Pelo visto o apartheid continua existindo na prática. E os sul-africanos brancos são aquela espécie de gente que se acha superior, trata todo mundo mal, fala alto, bebe demais e ainda não quer pagar a conta. Pelo menos é isso que tenho visto em Moçambique e é o que os locais me contam. E contam só depois de ouvir o meu sotaque, que eles reconhecem das novelas brasileiras. Aí eles relaxam comigo. Alguns até imitam o jeito de falar das novelas e saem falando legal, legal, que é uma gíria brasileira. Ou começam a falar usando gerúndios, que por aqui não se fala. A primeiríssima música que escutei quando pisei em Moçambique foi no aeroporto de Maputo e saiu da boca de um menino maltrapilho que carregava malas e cantava: lerê-lerê! Vida de negro é difícil...

Princesa Isabel e a sacola do Verde-mar

Dona Isabel é a senhora que lavou minhas roupas. Veja onde já chegou a sacola do Verde-mar!

O degredo do poeta em Moçambique

Tomás Antônio Gonzaga era português, foi criança pro Brasil, voltou a Portugal para estudar direito em Coimbra, se apaixonou por uma adolescente quando tinha 40 anos e era amigo de alguns inconfidentes. Por causa dessa ligação, acabou na cadeia e depois foi degredado para a Ilha de Moçambique, uma cidade colonial portuguesa no país africano. Há quem diga que ele nunca foi inconfidente. Mas ter sido degredado deu a ele fama como poeta. Quando chegou em Moçambique foi recebido pelos fidalgos e logo se casou com uma viúva rica e analfabeta. Muito conveniente para um mau poeta. Viveu muitos anos mais e morreu bem de vida, respeitado e funcionário público graduado da alfândega moçambicana. Sua amada Marília de Dirceu ficou para trás em Vila Rica, não a ver navios, claro. Mas virou nome de uma rua e de uma pracinha simpática em Belo Horizonte, onde a colônia portuguesa faz a sua festa anual. A rua Tomás Gonzaga corta a rua Marília de Dirceu, num cruzamento de ruas bem romântico. Já o nosso herói enforcado, o fracassado e barbudo Tiradentes, ganhou uma praça sem árvores e hoje é patrono daqueles que o esquartejaram: a polícia de Minas Gerais. Tudo bem, na época as polícias tinham outro nome. Mas polícia é sempre polícia.

Catadores de mariscos